Mundo
Suíça. Coproprietário do bar em Crans-Montana detido preventivamente
A detenção de Jacques Moretti foi adotada por risco de fuga. Ele e a mulher e sócia, Jessica, são acusados de homicídio negligente após o incêndio do seu bar Le Constellation na estância suíça de Crans-Montana, numa festa de Ano Novo.
A medida tinha sido pedida uma semana antes pelos advogados que representam as famílias das vítimas, que têm criticado duramente a forma como o processo tem estado a ser conduzido pelas autoridades.A lei suíça determina que um suspeito pode permanecer sob custódia por 48 horas, até uma decisão sobre a detenção ser tomada por um tribunal independente.
A detenção foi adotada após uma audiência de seis horas perante o Ministério Público em Sion, capital da região, quando se assinala uma semana desde a tragédia que fez 40 mortos e 116 feridos, de várias nacionalidades, incluindo uma portuguesa de 22 anos.
A acusação acredita que o incêndio começou quando as pessoas, que celebravam o Ano Novo no bar Le Constellation, ergueram garrafas de champanhe com velas de faísca.
Estas incendiaram a espuma isolante acústica no teto do bar, no subsolo, onde se encontravam mais de 100 pessoas, na sua maioria jovens, incluindo menores de 15 anos.
A escassez de vias de fuga, exceto uma estreita escada, e de extintores, assim como os materiais altamente inflamáveis no local, terão agravado a tragédia.
O governo suíço declarou um dia de luto nacional e grande parte da população participou em cerimónias de homenagem às vítimas.
Em toda a Suíça, grande parte da população observou um minuto de silêncio antes das 14h00 (13h00 GMT), seguido pelo toque dos sinos das igrejas de todo o país.
Na região alpina, incluindo Genebra, Sion e Zurique, o silêncio foi observado nas lojas, repartições públicas, escolas e até nas ruas, onde os transeuntes paravam frequentemente ao ouvir os sinos, que soaram pelo menos por cinco minutos.
A escassez de vias de fuga, exceto uma estreita escada, e de extintores, assim como os materiais altamente inflamáveis no local, terão agravado a tragédia.
Suspeitos de homicídio negligente
Esta semana, as investigações iniciais ao incêndio do bar da estância de
esqui concluíram que este não tinha sido submetido a inspeções de
segurança nos últimos cinco anos, revelação que chocou as famílias das
vítimas.
Romain Jordan, que representa algumas destas, afirmou no início desta semana que "o
número alarmante de infrações e deficiências nas inspeções levanta a
questão de saber se o município deve ser investigado com ainda maior
urgência".
Estabelecimentos como o Le Constellation deveriam ter sido inspecionados anualmente, mas o presidente da Câmara de Crans-Montana, Nicolas Feraud, disse na terça-feira que não conseguia explicar porque é que isso não tinha sido feito durante tanto tempo naquele bar.
Estabelecimentos como o Le Constellation deveriam ter sido inspecionados anualmente, mas o presidente da Câmara de Crans-Montana, Nicolas Feraud, disse na terça-feira que não conseguia explicar porque é que isso não tinha sido feito durante tanto tempo naquele bar.
"Lamentamos isso, temos uma dívida para com as famílias e vamos assumir a
responsabilidade", disse Feraud. Acrescentou que as velas de faísca serão proibidas nos estabelecimentos locais.
Jacques Moretti tem cadastro em França, onde foi condenado por um caso de proxénétismo em 2008. Ele e a sua mulher francesa, Jessica, proprietários do bar, foram acusados pela procuradoria suíça. Ambos são suspeitos de homicídio negligente, ofensa à integridade física negligente e incêndio criminoso culposo, informou a procuradoria de Valais.
Os sócios afirmaram estar "devastados" e prometeram "total cooperação" com a investigação em curso. Mas há suspeitas de que tentaram destruir provas e não tentaram socorrer os clientes.
Jacques Moretti tem cadastro em França, onde foi condenado por um caso de proxénétismo em 2008. Ele e a sua mulher francesa, Jessica, proprietários do bar, foram acusados pela procuradoria suíça. Ambos são suspeitos de homicídio negligente, ofensa à integridade física negligente e incêndio criminoso culposo, informou a procuradoria de Valais.
Os sócios afirmaram estar "devastados" e prometeram "total cooperação" com a investigação em curso. Mas há suspeitas de que tentaram destruir provas e não tentaram socorrer os clientes.
Jessica Moretti, de 40 anos, que geria o bar, foi vista por várias
testemunhas a transportar a caixa registadora enquanto o fogo se
expandia, segundo o jornal italiano La Repubblica.
Terá fugido com o dinheiro angariado naquela noite, enquanto os clientes tentavam desesperadamente escapar.
Terá fugido com o dinheiro angariado naquela noite, enquanto os clientes tentavam desesperadamente escapar.
O casal é também acusado de destruir provas, ao bloquear as suas contas nas redes sociais após o incêndio.
Uma semana após a tragédiaO governo suíço declarou um dia de luto nacional e grande parte da população participou em cerimónias de homenagem às vítimas.
Em toda a Suíça, grande parte da população observou um minuto de silêncio antes das 14h00 (13h00 GMT), seguido pelo toque dos sinos das igrejas de todo o país.
Na região alpina, incluindo Genebra, Sion e Zurique, o silêncio foi observado nas lojas, repartições públicas, escolas e até nas ruas, onde os transeuntes paravam frequentemente ao ouvir os sinos, que soaram pelo menos por cinco minutos.
Os comboios e os elétricos pararam e o aeroporto de Zurique suspendeu brevemente as suas operações.
Macron e Matarella presentes
Em Martigny, na região de Valais, realizou-se uma cerimónia oficial perante mil pessoas, entre as quais o presidente francês Emmanuel Macron e o seu homólogo italiano, Sergio Mattarella.
A França e a Itália foram particularmente atingidas, com nove e seis mortos, respetivamente, além de inúmeros feridos.
No seu discurso de sexta-feira, o presidente suíço, Guy Parmelin, declarou que o país permanecia "consternado" com a tragédia e pediu às autoridades judiciais que "revelassem as falhas e as punissem". Esta "noite de horror" transformou "toda a Suíça numa única família de enlutados", disse Parmelin.
Em Crans-Montana, uma estância coberta por uma espessa camada de neve na sexta-feira, centenas de habitantes locais, turistas e equipas de resgate puderam assistir à cerimónia em direto, alguns lutando para conter as lágrimas.
Em frente ao Le Constellation, um altar adornado com flores, velas, peluches e fotografias das vítimas foi coberto com um lençol branco para o proteger da neve.
Sobre uma mesa, um grosso livro de condolências estava já quase completo. "Uma perda, uma grande perda nacional que ficará para sempre gravada nas nossas mentes. Que as vossas almas descansem em paz", lia-se numa das mensagens.
No total, pessoas de 19 nacionalidades foram afetadas pela tragédia, que fez 40 mortos, metade deles de mineiros, e 116 feridos, a maioria com queimaduras graves.
No seu discurso de sexta-feira, o presidente suíço, Guy Parmelin, declarou que o país permanecia "consternado" com a tragédia e pediu às autoridades judiciais que "revelassem as falhas e as punissem". Esta "noite de horror" transformou "toda a Suíça numa única família de enlutados", disse Parmelin.
Em Crans-Montana, uma estância coberta por uma espessa camada de neve na sexta-feira, centenas de habitantes locais, turistas e equipas de resgate puderam assistir à cerimónia em direto, alguns lutando para conter as lágrimas.
Em frente ao Le Constellation, um altar adornado com flores, velas, peluches e fotografias das vítimas foi coberto com um lençol branco para o proteger da neve.
Sobre uma mesa, um grosso livro de condolências estava já quase completo. "Uma perda, uma grande perda nacional que ficará para sempre gravada nas nossas mentes. Que as vossas almas descansem em paz", lia-se numa das mensagens.
No total, pessoas de 19 nacionalidades foram afetadas pela tragédia, que fez 40 mortos, metade deles de mineiros, e 116 feridos, a maioria com queimaduras graves.
De acordo com o último balanço, 83 feridos permanecem hospitalizados na Suíça, além de unidades de queimados em França, Itália, Alemanha e Bélgica.
com agências